quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Seu Jorge - o David Bowie brasileiro.

Para quem acha que Seu Jorge é só samba, está muito enganado. Ele tem influências do rock n´roll, e grandes influências. Isto fica demonstrado claramente ao se ouvir o álbum "The Life Aquatic Studio Sessions Featurins Seu Jorge", em que o cantor faz performances covers de grandes sucessos de David Bowie, gravado para a trilha sonora do filme "The Life Aquatic with Steve Zissou". Entretanto, duas grandes peculiaridades são facilmente notadas : as versões em português, e a singularidade da "voz e violão".

Faixas famosas como "Starman", "Changes", "Life On Mars?", "Ziggy Stardust" e "Space Oddity" ganharam novas versões, agora com uma leveza e sensibilidade diferentes, cantada por uma voz mais grave, em outro idioma e com um sentimento talvez até mais melancólico em certas canções.

Vale muito a pena dar uma conferida!E se sobrar um tempo, fazer a comparação auditiva entre as versões, ora o som da guitarra elétrica de Bowie, ora o violão de Jorge.









segunda-feira, 27 de junho de 2011

Space Oddity

"Space Oddity", música título do 2º álbum de David Bowie, completou na semana passada 42 anos. Gravada em 20 de junho de 1969, a música foi feita sob inspiração do clássico "2001: Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick, o que se pode perceber ao se comparar ambos os título: "Space Odyssey" e "Space Oddity". Claro que Bowie resolveu fazer um pequeno trocadilho original e pessoal ao utilizar a palavra "Oddity", que significa esquisitisse, excentricidade, extravagância.
O ponto é que "Space Oddity" se tornou um dos maiores sucessos de David Bowie. Coincidência ou não, o álbum foi lançado às vésperas da chegada do homem à lua (20 de julho de 1969), entrando na turbulência mundial do interesse do homem pelo espaço.


"Can you hear me, major Tom? 
Can you... 
Here am I sitting in my tin can far above the Moon 
Planet Earth is blue and there's nothing I can do..."

terça-feira, 17 de maio de 2011

Persépolis

Estava procurando um filme francês para ver hoje. Passei por Amélie Poulain, Irreversível,O Closet, dentre outros, quando um em especial me chamou a atenção: Persépolis. Uma animação francesa sobre uma iraniana que gosta de rock n´roll e artes marciais!

A história se inicia com Marjane Satrapi, ainda criança, vivendo em Teerã(capital do Irã) com seus pais e avó, meio a um regime totalitário e opressor de seu governante. Durante a Revolução islâmica, Marjane presencia, a tomada do poder pelos fundamentalistas, a guerra entre Irã e Iraque, os frequentes ataques bombas, a prisão e execução de seu tio e a imposição do uso do véu para as mulheres.

Apesar de tudo, e sempre com muito bom humor, a esperta garota tenta viver uma vida normal, na medida do possível. É aí que começam os momentos memoráveis!Na década de 70, com o auge do punk rock e sua influência por todos os cantos do mundo, nem o Irã, nem Marjane ficaram de fora. Com uma jaqueta escrita "punk is not dead", sai caminhando pelas ruas para se encontrar com contrabandistas, vendedores dos mais diversos objetos ocidentais proibidos pelo regime iraniano, de batons para os lábios a baralhos de cartas. Mas a menina é decidida e sabe o que quer: discos de rock!  Depois de comprar um disco de rock, Marjane é capturada por duas senhoras conservadoras, que ficam escandalizadas ao verem em sua jaqueta um botton de, nada mais nada menos, que Michael Jackson!

O sotaque francês também dá bastante ênfase a esses momentos divertidos, o que torna deveras engraçado pensar que a história se passa no Irã, onde todos estão falando francês e a personagem principal gosta de artistas de língua inglesa.

Dando segmento à história, com medo de que algo aconteça à sua filha e pensando em sua educação, os pais da garota a enviam para Viena, para que estude e viva em um ambiente pacífico e sem guerras. Em um país estrangeiro, com pessoas de hábitos diferentes e de certo modo preconceituosas, Marjane vai estudar em uma escola francesa e se destaca de pronto em razão de sua origem. Entra para um grupo de amigos como a "menina que já passou por uma revolução e uma guerra", e com as transformações da adolescência, vive agora meio a um ambiente cheio de liberalidades, as quais nunca teria em seu país. O fato é que ela sente muito em estar longe de sua família e, após uma decepção amorosa fortíssima, volta para o Irã, caindo posteriormente em depressão. É quando outro momento memorável surge, pois, cansada da vida que leva desde que voltou à sua terra natal, Marjane dá a volta por cima, com uma brilhante performance de "Eye of the Tiger"(Sim, a música trilha de Karatê Kid!).




Para quem gosta de história, música e desenho animado, é um prato cheio!

Ainda, e não menos importante, vale destacar que é uma história verídica, que concorreu ao Oscar de melhor animação em 2007 e que, o nome "Persépolis" foi dado a história em razão de ser o nome da antiga capital do Império Persa, que se localizava no atual território iraniano.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Rebellion (Lies)


Antes de escrever o primeiro post fiquei pensando: "este blog deve começar com algo muito especial e que eu goste bastante". Foi aí que, após um dia turbulento, e muitas tentativas de extrair sentimentos momentaneos, surgiu a idéia de começar com nada mais, nada menos que Arcade Fire - Rebellion (lies).



Foi em 2003, na segunda cidade mais populosa do Canadá, também segunda cidade francófona mais populosa do mundo,  Montréal, província do Quebec, que surgiu o "Arcade Fire". Composta pelo casal fundador Win Butler e Régine Chassagne, além de Richard Reed Parry,William ButlerTim KingsburySarah Neufeld e Jeremy Gara, a banda já possui 3 discos lançados no mercado: Funeral(2004), Neon Bible(2007) e The Suburbs(2011).

O primeiro foi "Funeral", de 2004.  Há quem diga que recebeu esse nome pois os integrantes da banda haviam passado por perdas recentes de seus familiares, tendo sido abordada, portanto, a temática em seu disco.

Foi nesse disco que se destacou a música "Rebellion (lies)". A música se inicia falando que "Sleeping is giving in (...) so lift those heavy eyelids", versos que remetem a idéia de uma pessoa próxima da morte, ou para as mentes mais férteis, uma suposta tentativa de suicídio. 


Funebridades, amantes e sonhos sobre maus comportamentos a parte, o que mais gosto são os backing vocals ao fundo dizendo "lies, lies"(mentiras, mentiras). Certo, mentiras. Mentiras de um, mentiras do outro, mentira dos dois, mentira quanto aos sentimentos, mentiras pois se trata de um sonho e não da realidade, o ponto é que os backing vocals são um plus muito bem encaixado nessa música.

Bateria, violão, violino, piano, guitarra!Uma das maiores qualidades da banda é a variedade de instrumentos, o que torna o som muito mais rico e nos faz querer prestar atenção separadamente em cada instrumento, para ver como ele se encaixa na música. Por exemplo, a bateria guitarra e piano no início preparam o espaço, ocupado posteriormente pelo piano que a ser tocado de maneira branda, depois se intensificando, nos faz seguir o compasso da música. Vale dizer que esse acompanhamento, e porque não, desenvolvimento da música através de batidas já é usado há muito tempo, como por exemplo em "Heroin", do "Velvet Underground and Nico", de 1967.

Este efeito nos faz despertar para a música, assim como as crianças do clipe abrem os olhos e se levantam conforme a banda se aproxima e seguem atrás da banda e de seus "soldados de chumbo com seus tambores".

Destaque também para o violino, mais marcante principalmente entre um verso e outro, trazendo novamente algo diferente, mas muitíssimo agradável e embalante à música.

Por fim, sei que no momento um dos assuntos mais comentados é o novo álbum do Arcade Fire, The Suburbs(2011), mas mesmo assim, nem que seja para recordar, vale a pena ouvir "The Rebellion (lies)", um dos primeiros sucessos da banda.